Il Paradiso Perduto

Fevereiro 21, 2012

tomb_raider

Basicamente, há muito que procurava aquele sítio, mas sem grandes esforços nesse sentido.

Numa vulgar caminhada à procura de tudo, e de nada ao mesmo tempo encontrámos um senhor a mudar a água às azeitonas no meio duns arbustos. Assim que ele saiu, ficou descoberto um trilho.

Decidimos ver onde dava esse desconhecido trilho, sempre seguindo o que nos parecia ser um trilho, concerteza mais usado que visivel em todas as suas secções.
Começámos a subir, a escalar, a subir e quando demos conta já as pessoas que passavam no nosso ponto de partida pareciam formigas.
Subimos mais um pouco para ver onde dava; e quando demos conta, estávamos no topo d’A FENDA.

Descemos, rocha após rocha, e encontrámos algo que se classificaria como um submundo mesmo ali entre as praias e a estrada, com acesso meio tricky.

Havia umas vinte pessoas a escalar lá dentro, independentes umas das outras.
O sítio é dos mais maravilhosos que já encontrei, são duas paredes calcárias enormes, próximas uma da outra e com uma extensão maior que 1km.

Há árvores e vegetação, autênticas galerias a céu aberto; diria que entrei no Tomb Raider, fiquei sem perceber se estava algures num documentário BBC na América Latina ou ainda em Portugal.

Depois escalámos pelo sentido oposto ao qual tínhamos vindo e encontrámos estrada após 15min de caminho.
O caminho é também meio tricky, mas nada do outro mundo.
Uma ou outra secção escalada e uma fissura numa rocha com alguns 5m de profundidade e com 30cm de comprimento, nada não “saltável”, mas quando olhei para baixo fiquei com medo.

Um dos sítios mais maravilhosos e bonitos onde já estive, e quase à porta de casa.

anti-acta protests

Embora não fosse muito visivel nos mass media, Lisboa foi palco de uma manifestação simultânea a muitas iguais pelo país e mundo fora. Cada um dos manifestantes, na sua maioria mascarados, teve direito à sua voz, a empunhar o megafone. Um protesto de todos e para todos, sem uma liderança central e com o aval comum.

Manifestação contra uma assinatura que permite criar uma lei que vai contra toda a liberdade que temos.
Ao alegar-se uma invenção, será possível patentear a mesma e restringir o acesso de tudo o que imaginarmos, seja educação (cultura, música, filmes), sementes, medicamentos, software, receitas; qualquer tipo de ideia…
E também, o que ninguém nos diz é que Portugal é um dos países que compactua com algo que se for aceite definitivamente, só terá tendência a crescer nas mais variadas formas.

Num mundo que se afirma cada vez mais aberto e para os pro-activos com vontade de arriscar, as grandes industrias são piegas, resistem à mudança e fazem birras porque o mundo digital e ávido de mudança que criaram lhes ameaça a zona de conforto.


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o que é facto é que não existe motivo palpável para chegar lá acima.
muitas vezes nem sei que vou lá acima, acontece por intuição, e quando lá chego, reparo que cheguei.

muitas vezes subo apenas para descer, para lá permanecer o tempo que for necessário. o tempo necessário para deixar de sentir o que é “lá” em baixo, para me desprender de tudo aquilo que me afasta da vida e de mim próprio; e tudo aquilo que me afasta de mim próprio não sou eu, são os rails da autoestrada, são também aqueles atalhos que não vão dar a lugar algum ou aquelas luzes que afinal não eram ouro.

eu subo lá acima para chegar, só porque sim. como tudo aquilo que não é palpável, e é muitas vezes fútil; mas são o distanciamento e afastamento que nos ajudam a reencontrarmo-nos e a chegar onde sempre quisemos, àquele sítio que está tão perto, que sempre viveu conosco e que no final é o mais longe, profundo, sombrio e difícil de enfrentar e encarar: a nós mesmos!

é por isso que amo a montanha, a dificuldade de chegar lá acima, de me ultrapassar e conquistar, mesmo que seja num dia nublado ou a paisagem afinal não seja a tal, valeu pela viagem.

the machine

Julho 21, 2010

a tecnologia que tanto nos ajuda,
tem-nos feito esquecer, desprezar e inutilizar todas as nossas reais capacidades
como seres (vivos), como animais.

faz-nos dispersar da nossa real natureza,
do contacto com outros seres humanos.

torna-nos mais fracos.

estamos cada vez mais trabalhadores, em busca de objectivos que não são os nossos,
e cada vez menos sociais.

todas as actividades que nos fazem sentir fortes fisicamente, podem ser feitos em frente a um ecrã, mas a sua intensidade é quase nula.
o contacto com outros pode ser mantido através de máquinas. o numero de pessoas com quem contactamos pode ser maior, mas a sua intensidade é quase nula.

sem titulo

Julho 15, 2010

o homem actual é um ser solitário e esqueceu-se que tem uma vida melhor por conquistar.
vive em cima do risco na correria do dia-a-dia, sabe que nao pode falhar.

refugia-se em programas de televisao e em compras que não fazem sentido. Esqueceu-se de valorizar as próprias capacidades que diariamente substitui com ferramentas e compras.
deixou de criar para consumir.  Deixou de ser capaz.

passamos a nossa vida na cidade, negando o sol e a nossa propria natureza.
vivemos afastados da verdadeira natureza que destruimos diariamente.

tornamo-nos medrosos. temos medo das doenças, das catastrofes, da solidao e até do proprio vizinho que já não conhecemos.
temos vergonha de mostrar afecto, de mostrar e dizer que amamos, porque isso é para os chamados fracos.

na correria, há cada vez mais pessoas sozinhas e sem ter com quem partilhar. A familia deixou de ser o que era por não haver tempo.

o TER deu lugar ao SER.
deixamos de ser quem eramos, nao sabemos quem somos e andamos perdidos.

Esta carta é para ti

Março 20, 2009

Esta carta é para ti,

Que acreditas num mundo melhor. Esta carta é para ti, que continuas a investir no mundo, como se algo (também) teu se tratasse! Esta carta é para ti, que continuas a lutar! Esta carta é para ti, que não desistes!
Esta carta é também para ti, que consegues ver além, que acreditas num mundo mais justo, é para ti que aceitas a mudança e compreendes que os outros podem ser diferentes. É para ti que transportas aquelas ideias que todos chamam utópicas para o dia-a-dia, mostrando ao mundo que funcionam, se nos respeitarmos e investirmos uns nos outros, se formos compassivos.
Esta carta é para ti que arriscas, que não tens medo da mudança nem da morte, porque deste o teu máximo enquanto pudeste. É para ti que vês um mundo diverso, rico e cheio de surpresas além do McDonald’s e da Coca-Cola. É para ti que aceitas todos como normais, mesmo que não comam de garfo e faca ou não tenham ido à escola.
Esta carta é para ti que continuas a encarar a guerra do dia-a-dia com um sorriso, porque no fundo não somos nada quando nos queixamos. Esta carta também é para ti que não lamentas nem vives o pânico, simplesmente ages. É para ti que arriscas a tua vida e liberdade por algo maior, pelos outros.
Esta carta é para ti que amas sem motivo, que partilhas e no fundo nem realmente estás a lutar, porque essa é a tua essência. Esta carta é para ti que não perdes nem ganhas quando salvas o mundo, mesmo que a pouco e pouco, porque essa é a tua essência!
Esta carta é para todos aqueles que dão sem sentir que estão a dar, em vez de apenas tirar.
Esta carta é para todos aqueles que nos servem de inspiração e que nos ajudam a tentar marcar também a diferença. Não é nenhum agradecimento. É uma homenagem, um elogio e uma forma de mostrar que os nossos corações batem.

Isso dá-nos força e a pouco e pouco muda-nos a vida!

Por vezes, parece que fazemos coisas bonitas,

falamos sobre o que realmente é melhor,

falamos de libertação.

Agimos aqui e ali, espalhamos ideias e palavras.

Mas acabamos por nunca nos libertarmos de nós próprios.

Parece que fazemos todas essas coisas por nós,

apenas para aliviar da guerra que vivemos no dia-a-dia.

Falamos porque não temos coragem de nos soltar.

Tentamos salvar outros, quando nem a nós próprios conseguimos salvar,

como um cego a guiar outro cego.

evergreen_by_blemish_pt

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