Prédio ocupado em Lisboa já foi despejado pela polícia

Um grupo de cidadãos, auto-intitulado Colectivo Matéria Bruta, ocupou, na quarta-feira, um prédio devoluto na Rua de São Lázaro, em Lisboa, onde distribuiu sopa. Entretanto, agentes da Polícia Municipal e uma equipa da PSP, intervieram e os activistas foram para a esquadra para serem identificados.

Há 4600 fogos vazios em Lisboa, dizem os activistas Há 4600 fogos vazios em Lisboa, dizem os activistas (Enric Vives-Rubio)

“Ocupamos um edifício da CML para recriar nele valor social, oferecendo sopa quente neste dia de greve fria”, lê-se num comunicado do movimento distribuído nas redacções pelo Grupo de Acção e Intervenção Ambiental (GAIA).

Segundo os activistas, “em Portugal existem mais de 300.000 fogos vazios e Lisboa tem 4.600 fogos vazios considerados devolutos e que, se estivessem ocupados, dariam para acolher mais de 25 mil pessoas, muitos dos quais pertencem à Câmara Municipal de Lisboa ou à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa”.

Caso resistissem na “casa do grevista”, como chamam ao prédio ocupado, hoje à noite voltaria a haver distribuição de sopa. “Iremos oferecer sopa a qualquer pessoa que a deseje e que apareça neste espaço que agora se recupera, numa perspectiva de partilha humana de recursos, solidariedade e construção comunitária de alternativas, seja económica seja social.”

Mas a polícia frustrou as intenções e agora o jantar popular que estava pensado para o local será “distribuído em frente à esquadra onde se encontram os detidos (no Comando da Polícia Municipal de Lisboa na Praça de Espanha) e haverá uma vigília em solidariedade”, informa o GAIA.

O comandante André Gomes explicou à Lusa que a natureza dos supostos crimes são de natureza semi-pública, pelo que a autarquia terá de apresentar queixa, durante um período de seis meses, para os detidos serem presentes a um tribunal de pequena instância. Caso não exista queixa, os suspeitos ficam identificados.

Notícia actualizada às 18h35

in Publico

Video da Acção de Despejo: http://vimeo.com/17197006


A criminalização dos movimentos sociais

Crónica do dia 23 de Novembro, de Raquel Freire, sobre a manifestação anti-nato/pela paz e criminalização dos movimentos sociais.


Ítaca

Se partires um dia rumo à Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.

Nem lestrigões, nem ciclopes,
nem o colérico Posidon te intimidem!
Eles no teu caminho jamais encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção tocar o teu corpo e o teu espírito.

Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posidon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.

A muitas cidades do Egito peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu
Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.

Constantino Kabvafis (1863-1933)
in: O Quarteto de Alexandria – trad. José Paulo Paz.


Comida, Bombas Não! – Barreiro


RIO DE SANGUE (Blood River), Tim Butcher

Acabei hoje de ler este livro!

Relata a viagem do autor pelo Congo, seguindo as pistas de Henry Stanley, um dos primeiros europeus conhecidos por cartografar o rio Congo.

Stanley ficou conhecido, primeiro por ter descoberto o corpo de Livingstone – outro explorador que morreu algum tempo antes a tentar o mesmo – e depois pela travessia do hóstil país.

Tim Butcher segue os seus trilhos contando com personagens que encontra pelo caminho, grupos de ajuda humanitária e a própria sorte.

Depara-se com o retrocesso que o país teve após o domínio belga. Aborda a destruição cultural e social imposta pelos europeus, a forma como os europeus colonizaram, exploraram e destruiram as formas de sociedade que antes existiam anteriormente obrigando os nativos ao modelo de vida europeu e como os abandonaram à sua sorte na época das descolonizações sem a preocupação de dar um rumo ao que tinham destruído anteriormente, como se tudo voltasse simplesmente a um equilibrio.

Tim fala também dos mercenários brancos e dos apoios dos EUA aos governos dictatoriais em África, bem como da corrupção dos governos e o desvio de apoios comunitários para as suas próprias contas bancárias pessoais. Deixa-nos a pensar acerca de contradições como a existência de tropas de manutenção da paz da ONU onde quem faz a guerra são governos corruptos apoiados por potências mundiais. Fala da posição geográfica do Congo e a sua ligação aos conflitos no Uganda, Sudão e Ruanda. Fala do retrocesso que aquela região do globo teve nos ultimos anos, caracterizando-a como a zona menos avançada do mundo, onde os velhos sabem o que são telefones e automóveis e muitas crianças nunca sequer viram um à frente nem presumem que possam existir.

Um livro que não me deu descanso e me deixou obcecado por conhecer África mais a fundo.