solidão social, arma do sistema, do estado e do capitalismo

Fonte: HEREGE_SOCIAL_E-ZINE (www.heregesocial.pt.vu) – 2005

Nos tempos de hoje a solidão é mais que nunca um problema social e humano, escondida atrás da grande maquina consumista e no stress do dia-a-dia.
Vemos isso hoje desde a infância, desde as brincadeiras de rua que são substituídas logo desde quase os 5 anos pelo primeiro telemóvel ou a primeira consola. “Somos assombrados” por uma máquina de produção e consumista onde a vida é cada vez mais centrada na alienação, no “ter” e no consumismo.

O contacto humano é cada vez menor e vê-se no próprio emprego onde a apatia é um crescente, sentimo-nos isolados na raiva pela autoridade, não a partilhamos, por vezes em alguns casos o sentimento parece ser o medo pela desobediência pois estamos cada vez mais dependentes da própria exploração, pois muitos pensam que são um caso isolado ou então dirigem mal a sua raiva, pensamos que somos abafados e destruídos pelo sistema.

Chegamos à velhice sós, vivemos sós centrados na obediência laboral mas “dão-nos” resposta ao isolamento: COMPRAR. Enchem-nos de publicidade onde nos dizem que a solução para a nossa falta de humanidade é o consumismo, a nossa “felicidade” está no novo telemóvel, no novo televisor, na nossa nova roupa, a preços exessivos e feitos para durar cada vez menos para o ciclo individual do consumo nunca terminar.

Aumentam as ridiculas “revistas cor de rosa” e os (tudo menos) “reality shows” onde pobres de espirito tentam fugir à sua falta de vida e personalidade atravéz da vida dos ricos, dos famosos, dos ociosos, dos vazios. QUerem-nos cada vez mais isolados pois agora a ditadura não “pode” ser feita através do bastão mas sim da propaganda, querem-nos cada vez menos pensadores, cada vez mais “infelizes” (assim nos chamam porque não temos o ultimo “telemovel”) em troca do nosso dinheiro que nos “dão” em troca da nossa escravização, em troca da sua riqueza, das suas colonizações capitalistas, guerras, falsas democracias.

TODOS OS CARTAZES PUBLICITARIOS SÃO PROPAGANDA E ARMA DO SISTEMA


o motivo de chegar lá acima

o que é facto é que não existe motivo palpável para chegar lá acima.
muitas vezes nem sei que vou lá acima, acontece por intuição, e quando lá chego, reparo que cheguei.

muitas vezes subo apenas para descer, para lá permanecer o tempo que for necessário. o tempo necessário para deixar de sentir o que é “lá” em baixo, para me desprender de tudo aquilo que me afasta da vida e de mim próprio; e tudo aquilo que me afasta de mim próprio não sou eu, são os rails da autoestrada, são também aqueles atalhos que não vão dar a lugar algum ou aquelas luzes que afinal não eram ouro.

eu subo lá acima para chegar, só porque sim. como tudo aquilo que não é palpável, e é muitas vezes fútil; mas são o distanciamento e afastamento que nos ajudam a reencontrarmo-nos e a chegar onde sempre quisemos, àquele sítio que está tão perto, que sempre viveu conosco e que no final é o mais longe, profundo, sombrio e difícil de enfrentar e encarar: a nós mesmos!

é por isso que amo a montanha, a dificuldade de chegar lá acima, de me ultrapassar e conquistar, mesmo que seja num dia nublado ou a paisagem afinal não seja a tal, valeu pela viagem.