Segmenta a Luta!

Muitos sonham com um mundo melhor e mais justo, com mais disto e menos daquilo.
Muitos sabem dizer que querem “paz no mundo”, “acabar com a fome”, “felicidade para todos”. Mas isso é uma exigência muito grande para movimentar em bloco.

A dica é: Segmenta a Luta!

Já há organizações para tudo, e que pegam nos grandes blocos. Não precisas criar uma nova, precisas colaborar com essas organizações.
Já há livros escritos e pessoas que falaram acerca das grandes causas, mas as grandes causas não se ganham do dia para a noite.
As grandes causas precisam ser segmentadas, com pequenas batalhas.

Segmenta a luta em pequenas coisas que precisem ser feitas. Podes começar apenas pela forma como vives o dia-a-dia, os teus hábitos de consumo, a forma como interages com o mundo e contigo mesm@.
Depois disso, pega numa causa, analisa-a a fundo ou tropeça numa coisa pequena que possa ajudar a causa a avançar, num dos mil segmentos que constituem a causa. Segmento a segmento a luta vai avançando e as pessoas à tua volta vão tomando consciência. Só custa começar e depois tudo encarrila; outros vão seguir o exemplo e outros pequenos segmentos vão sendo resolvidos. E quando deres conta, terás uma grande parte do grande bolo preenchida.

É pegando em pequenas frentes que se avança, e não num bloco. É com persistência, tal como a água que bate em pedra dura…


they call it global village

‎”We do not live in a global village, but rather in a global metropolis, a global train station inundated with ‘a crowd of loners'” (Ryszard Kapuscinski)

In fact, in villages people know each other.
One who created the expression “global village” talkin about television – and probably others applied it to the internet, mobile phones and social networks – is wrong.
It’s inversely proportional the capability of knowing more about each other and the closer we are from each others.

We share contents and what we are doing, not human heat.
We see lots of people everyday, but inside our cocoon.

“Nós não vivemos numa aldeia global, mas sim numa metrópole global, uma estação de comboios mundial inundada por uma multidão de solitários “(Ryszard Kapuscinski)

De facto, nas aldeias as pessoas conhecem-se umas às outras.
Aquele que criou a expressão “aldeia global” falando sobre a televisão – e provavelmente outros o aplicaram à internet, telemóveis e redes sociais – está errado.
É inversamente proporcional a capacidade de saber mais sobre os outros ao quanto mais perto estamos uns aos outros.

Nós partilhamos conteúdos e o que estamos fazendo, não o calor humano.
Vemos muitas pessoas todos os dias, mas dentro do nosso casulo (cocoon).


Se não fosse a Pirataria, ainda hoje eu não conhecia os Beatles!

Se não fosse a partilha de conteúdos, ainda hoje era um tótózinho que apenas conhecia o TOP+ e os jogos da 1a Liga!
Muita música e conteúdos que me foram partilhados ajudaram a definir a minha personalidade e a conhecer muitas coisas que caso fosse necessário gastar dinheiro, teria sido impossível. Possivelmente, sem a pirataria, em vez de ter feito viagens, conhecido pessoas e experimentado um monte de coisas, seria um tótó que só conhece Futebol, BigShowSic e o Rambo.

1- Parte dos conteúdos que ajudaram a definir-me, a crescer e a pensar não existem à venda por aí e/ou são caros.
2- Porque muitos conteúdos são consultados apenas uma vez, em seguida teria que os vender, o que nem sempre te sido fácil.
3- Porque se fizermos as contas por baixo, com uma média de 10€ por conteúdo, já muitos 1000€ teriam sido gastos para que eu crescesse com um mínimo de inteligência.
4- Mesmo considerando uma biblioteca tão importante quanto um frigorífico, muitos conteúdos que me ajudaram a crescer não existem nas bibliotecas e é impossível que uma biblioteca seja diversa o suficiente para agradar a todos contendo todos os conteúdos. É aqui que entra a partilha de conteúdos, a biblioteca global onde vamos traçando o caminho do crescimento através dos conteúdos que vamos descobrindo.

Os Radiohead (e muitos outros) já disponibilizaram albuns e cada um contribuía como queria.
Quando compramos um CD, apoiamos o artista apenas numa pequena percentagem, tudo o resto vai para os intermediários. Quem é o pirata afinal?

O mundo está digital (economizam-se recursos materiais) e as mudanças são notórias e rápidas. Não é tempo de os intermediários e os artistas pensarem num novo modelo de negócio?


RIO DE SANGUE (Blood River), Tim Butcher

Acabei hoje de ler este livro!

Relata a viagem do autor pelo Congo, seguindo as pistas de Henry Stanley, um dos primeiros europeus conhecidos por cartografar o rio Congo.

Stanley ficou conhecido, primeiro por ter descoberto o corpo de Livingstone – outro explorador que morreu algum tempo antes a tentar o mesmo – e depois pela travessia do hóstil país.

Tim Butcher segue os seus trilhos contando com personagens que encontra pelo caminho, grupos de ajuda humanitária e a própria sorte.

Depara-se com o retrocesso que o país teve após o domínio belga. Aborda a destruição cultural e social imposta pelos europeus, a forma como os europeus colonizaram, exploraram e destruiram as formas de sociedade que antes existiam anteriormente obrigando os nativos ao modelo de vida europeu e como os abandonaram à sua sorte na época das descolonizações sem a preocupação de dar um rumo ao que tinham destruído anteriormente, como se tudo voltasse simplesmente a um equilibrio.

Tim fala também dos mercenários brancos e dos apoios dos EUA aos governos dictatoriais em África, bem como da corrupção dos governos e o desvio de apoios comunitários para as suas próprias contas bancárias pessoais. Deixa-nos a pensar acerca de contradições como a existência de tropas de manutenção da paz da ONU onde quem faz a guerra são governos corruptos apoiados por potências mundiais. Fala da posição geográfica do Congo e a sua ligação aos conflitos no Uganda, Sudão e Ruanda. Fala do retrocesso que aquela região do globo teve nos ultimos anos, caracterizando-a como a zona menos avançada do mundo, onde os velhos sabem o que são telefones e automóveis e muitas crianças nunca sequer viram um à frente nem presumem que possam existir.

Um livro que não me deu descanso e me deixou obcecado por conhecer África mais a fundo.